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Marcador de bactéria fecal pode diagnosticar câncer colorretal de modo não invasivo

Um marcador fecal de Lachnoclostridium pode ser útil para o diagnóstico não invasivo de adenoma colorretal e de câncer, relatam pesquisadores de Hong Kong.
Pesquisas anteriores sugerem um papel para algumas espécies de bactéria, como Fusobacterium nucleatum (Fn), na promoção de gênese do tumor colorretal.

Em estudos anteriores, a Dra. Jessie Qiaoyi Liang da Universidade Chinesa de Hong Kong e colaboradores identificaram 20 bactérias candidatas a marcadores genéticos que podem vir a ser biomarcadores de diagnóstico não invasivo do câncer colorretal.

No estudo em tela, os pesquisadores identificaram e avaliaram a utilidade de um novo marcador genético do Lachnoclostridium (que chamaram de m3) para o diagnóstico do adenoma e do câncer colorretal. Os pesquisadores compararam o desempenho diagnóstico entre este marcador, outros marcadores genéticos de bactérias e o exame imunoquímico fecal (FIT, do inglês Fecal Immunochemical Test) em 1.012 pessoas de dois grupos independentes.

Os níveis de m3 fecal foram significativamente mais altos nos pacientes com adenoma colorretal ou câncer colorretal, em comparação com os controles, com uma tendência linear significativa de aumento do m3 dos controles para o adenoma e para o câncer, informou a equipe no periódico Gut.
O m3 identificou pacientes com adenoma, com especificidade de 78,5%, sensibilidade de 48,3% e acurácia de 65,9% e identificou pacientes com câncer com sensibilidade de 62,1% e acurácia de 71,7%.

Na análise da curva ROC, o Fn teve melhor desempenho que o m3 para o diagnóstico do câncer colorretal, enquanto o m3 superou o Fn no diagnóstico de adenoma. Associar o Fn e o m3 melhorou o desempenho diagnóstico do câncer colorretal, mas não do adenoma.

Da mesma forma, a associação com marcadores de bactérias previamente descritos, o Fn, o BC (Bacteroides clarus) e o Ch (Clostridium hathewayi), melhorou o desempenho diagnóstico do m3 para o câncer colorretal, mas o m3 isoladamente continuou sendo melhor para o adenoma.

A combinação do m3 com outros três biomarcadores forneceu uma taxa de detecção de câncer colorretal (84,7%) maior que o m3 isolado (61,8%) ou o FIT (71,3%), mas a combinação dos quatro biomarcadores com o FIT teve o melhor desempenho (com sensibilidade de 93,8% e especificidade de 81,2%).

O m3 isolado teve um desempenho significativamente melhor do que o FIT ou os quatro biomarcadores combinados no diagnóstico de adenoma pleomórfico (com sensibilidades de 48,0%, 9,3% e 42,2%, respectivamente), e a combinação com o FIT aumentou a sensibilidade do m3 para 51,5%.

O Dr. Nicholas Chia da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, que demonstrou que as mudanças na microbiota fecal estão associadas a pólipos adenomatosos, disse à Reuters Health: “Acredito que precisamos ter alguma cautela em relação a esses resultados. Outros estudos sobre marcadores têm obtido AUC semelhantes para os adenomas, de aproximadamente 0,6. Embora 0,675 em uma grande coorte seja um avanço, não tenho certeza de que realmente ajude muito em termos clínicos, já que ainda significa fazer colonoscopias em quase todos os pacientes. Isso na verdade não muda nossa conduta.”

“O m3 parece ser uma sequência de polimerase quase completa”, explicou Dr. Nicholas. “É difícil dizer porque isso deve estar associado aos adenomas ou ao câncer colorretal, o que  acrescenta mais receio sobre a certeza da reprodutibilidade do trabalho, especialmente em diferentes coortes.”

“No lado bom, este é um importante acréscimo ao nosso conhecimento científico”, disse o Dr. Nicholas. “A gente teria imaginado, mas sem ter certeza, que novas informações levariam ao aprimoramento da nossa capacidade de identificar os adenomas. A identificação do Lachnoclostridium como potencial alvo de futuros estudos é importante, trata-se de uma espécie que já vimos em nossos próprios estudos de metagenômica. No entanto, há mais trabalho que precisa ser feito em torno do porquê.”

O Dr. Nicholas acrescentou que, “os resultados do câncer colorretal já são iguais aos que outras pessoas têm encontrado. Não há muito progresso nisso, e não há muito espaço para progredir, no sentido de que quanto mais perto de 100%, mais difícil fica alcançar essa meta”.

O estudo não teve financiamento comercial e os pesquisadores informaram não ter conflitos de interesses.

 

Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

 

Referencia: https://portugues.medscape.com/verartigo/6504134#vp_2

Fonte: https://bit.ly/2YjN8IR

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